Às vezes a vida não avisa. Leva-nos alguém da família e, de repente, tudo fica mais silencioso a casa, as rotinas, até os dias.
Fica a saudade: aquela que aperta o peito quando vemos uma fotografia, quando ouvimos uma música, quando um cheiro nos faz voltar atrás no tempo. Fica a vontade de dizer “só mais uma vez”, de abraçar com calma, de ouvir a voz mais um bocadinho.
Mas também fica o amor. A presença invisível nas pequenas coisas: nos gestos que herdámos, nas frases que repetimos sem dar conta, na forma como continuamos a cuidar de quem fica. Porque quem amamos não desaparece muda de lugar. Passa a viver dentro de nós, em memória, em raiz, em coração.
Hoje, eu já não digo adeus. Digo obrigada. Por tudo o que foi, por tudo o que ensinou, por tudo o que deixou em mim. Descansa em paz. E se a saudade doer… que doa com ternura, porque é assim que o amor continua.
Ainda há momentos em que me apanho a pensar que vou mandar mensagem, que vou ligar, que vou contar qualquer coisa… e depois lembro-me. E dói. Dói muito.
Sinto falta das coisas pequenas: da voz, do jeito de estar, das manias, daquele olhar que dizia tudo sem dizer nada. A família fica com um lugar vazio, mas o coração fica cheio de memórias e às vezes isso consola, outras vezes só faz apertar mais.
Não sei bem como se aprende a viver assim, acho que nunca saberei por mais que os anos passem, continua a fazer tudo como achava que farias. Sei só que a saudade vai aparecendo do nada: numa música, num cheiro, numa data, numa frase. E eu deixo. Porque sentir saudade também é uma forma de amar. Onde quer que estejas, quero acreditar que sentes o nosso amor. E que, de alguma maneira, continuas aqui no que me ensinaste, no que me deixaste, e em tudo o que nunca vou esquecer.
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